Mostra reúne obras e inspirações do período vivido pela artista no município e integra a primeira edição do ADEArte, projeto que aproxima arte, educação e sustentabilidade. Visitação é gratuita até 20 de dezembro.
De um “mísero caído” papel de bala de hortelã encontrado no chão, nasceu uma Rainha. Efigênia Rolim, a Rainha do Papel de Bala, é reconhecida nacionalmente por transformar materiais descartados em esculturas, personagens, vestimentas e instalações repletas de imaginação. Em seu reinado, construiu uma obra que desafia uma ideia tão presente em nosso tempo: a de que aquilo que perde sua utilidade também perde seu valor. Em suas mãos, o descarte nunca representou o fim de uma história, mas o começo de outra.
É com esse convite a olhar novamente para o mundo — e para os detalhes que muitas vezes passam despercebidos — que a exposição Efigênia Rolim: entre o mar e a mata está em Itapoá. Aberta ao público desde o dia 2 de outubro, a mostra reúne obras e referências da produção da artista durante o período em que viveu no município e integra a primeira edição do ADEArte, projeto da ADEA – Associação de Defesa e Educação Ambiental que aproxima arte, educação e sustentabilidade.
Desde a última terça-feira (6), a exposição também começou a receber estudantes da rede municipal de ensino de Itapoá. Ao longo dos três meses de realização, dezenas de turmas participarão das visitas educativas, que propõem um encontro com a obra da artista a partir de temas como criatividade, consumo, descarte, meio ambiente e diferentes formas de perceber e transformar os materiais presentes no cotidiano.
A visitação para o público em geral é gratuita e segue até 20 de dezembro, de sexta a domingo, das 17h às 20h, na sede da ADEA.
Uma artista que transformou o descartado em poesia
Efigênia Rolim iniciou sua trajetória artística aos 60 anos, depois de encontrar, na Rua XV de Novembro, em Curitiba, um papel brilhante de bala de hortelã. O pequeno objeto despertou um olhar que passaria a acompanhá-la por toda a vida: enxergar possibilidades naquilo que havia sido descartado.
A partir daí, materiais que normalmente teriam como destino o lixo passaram a compor personagens, objetos, vestimentas e narrativas marcadas pela criatividade e por reflexões sobre consumo, descarte e nossa relação com o planeta.
Ao longo de mais de três décadas de produção, Efigênia construiu uma obra singular, na qual arte e vida se misturam e objetos aparentemente sem valor ganham novas histórias.
A singularidade de sua produção levou Efigênia Rolim a importantes espaços da arte brasileira. Obras da artista integram hoje o acervo do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, e sua trajetória inclui participações em exposições de destaque, como a Bienal Internacional de Curitiba.
Entre os reconhecimentos recebidos por Efigênia estão o Prêmio Culturas Populares Mestre Duda, concedido pelo Ministério da Cultura em 2007, e a Ordem do Mérito Cultural, na classe de Comendadora, recebida em 2008, uma das mais importantes honrarias da cultura brasileira.
Uma história que também passa por Itapoá
A história de Efigênia Rolim também passa por Itapoá. A artista chegou ao município em setembro de 2018 e viveu aqui por pouco mais de três anos. Hoje, suas filhas seguem construindo no município um cotidiano atravessado por arte, memória e legado.
Durante os anos vividos por aqui, Efigênia esteve próxima da mata, do mar, dos animais, dos sons e dos materiais que encontrava pelo caminho. Caminhava, observava, recolhia. Produzia. Criava seres e objetos que parecem pertencer simultaneamente ao mundo natural e ao mundo imaginado.
Entre o mar e a mata, esse universo encontrou um território particular: a natureza não aparece apenas como cenário, é presença.
Essa conexão torna a primeira edição do ADEArte também uma oportunidade de aproximar a comunidade de uma artista cuja história atravessa o território e a memória de Itapoá.
“Encontramos na trajetória de Efigênia Rolim muito do que o ADEArte quer provocar: criatividade, sustentabilidade, cuidado e pertencimento. E temos um presente para Itapoá: além de ter vivido aqui, Efigênia criou muito durante esse período. Entre o mar e a mata, ela nos deixou também um convite para olhar o mundo de outra forma”, destaca Vinicius Patrial, coordenador do projeto.
Arte que chega às escolas
A partir do dia 6 de outubro, a exposição passou a receber também estudantes da rede municipal de ensino de Itapoá. Dezenas de turmas participarão da programação educativa ao longo dos três meses de exposição.
Para preparar esse encontro entre arte e educação, o ADEArte desenvolveu um material pedagógico destinado aos professores, com propostas que podem ser trabalhadas antes, durante e depois da visita. A exposição torna-se, assim, ponto de partida para experiências que ultrapassam o espaço da galeria e podem dialogar com diferentes áreas do conhecimento.
A proposta é ampliar o contato de crianças e jovens com a arte e criar oportunidades para conversar sobre criatividade, consumo, descarte, meio ambiente e novas formas de olhar para os materiais presentes no cotidiano.
“Sua arte nos convida a olhar o mundo com mais criatividade, sensibilidade e cuidado. E é esse olhar que queremos despertar nos alunos e no público em geral. Afinal, o que conseguimos enxergar quando olhamos para aquilo que todo mundo já deixou de ver?”, questiona Carolina Guedes da Silva, diretora de produção do ADEArte.
Além das visitas escolares, a programação do projeto prevê oficinas com as filhas da artista, aproximando o público da memória e do legado de Efigênia Rolim.
Sobre o ADEArte
O ADEArte nasce como um programa permanente dedicado a cultivar encontros entre arte, educação e sustentabilidade.
A iniciativa parte da ideia de que a arte pode despertar novos olhares sobre o território, sobre as relações e sobre o mundo ao nosso redor. A cada edição, o projeto pretende aproximar artistas, estudantes, educadores e comunidade por meio de exposições e experiências educativas.
A escolha de Efigênia Rolim para inaugurar o programa traduz esse propósito: uma artista que fez do ato de olhar novamente para aquilo que seria descartado uma maneira de criar, provocar e transformar.
SERVIÇO
Exposição: Efigênia Rolim: entre o mar e a mata
Visitação: de 2 de outubro a 20 de dezembro, sextas, sábados e domingos, das 17h às 20h
Local: ADEA – Associação de Defesa e Educação Ambiental
Endereço: Avenida Brasil, 631, bairro Maresias – Itapoá (SC) Entrada: gratuita
Instagram: @adearte.itapoa
Realização: Projeto realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, através do Ministério da Cultura, com patrocínio da Coamo e Porto Itapoá e apoio da ADEA.





