Os servidores de Itapoá irão paralisar durante a tarde de 29 de maio, dia em que há nova reunião marcada entre o sindicato e o governo. A categoria, que está em estado de greve desde o dia 8, reuniu-se em assembleia na noite de ontem e decidiu novamente rejeitar a proposta da Prefeitura. Os trabalhadores exigem que o prefeito Marlon Neuber negocie de verdade e atenda as reivindicações.

Os dois contatos feitos com o sindicato até o momento foram por meio de uma comissão sem autonomia de negociação, que apenas entregou ofícios. Ontem, o sindicato foi chamado para uma nova reunião antes da assembleia. O agendamento foi comunicado com poucas horas de antecedência, com o intuito de impedir a participação dos diretores do Sinsej. Os dirigentes conseguiram comparecer, mas apenas para não encontrar o prefeito na mesa de negociação outra vez. A comissão destacada por ele entregou um novo documento em que propunha:

• Revisão salarial pelo índice da inflação na data-base (1,69%).
• Atualização do vale alimentação em 5%.
• 1% de reajuste salarial em maio dos anos 2018, 2019 e 2020.
• Concessão de 20 dias de licença paternidade.

A diferença dessa proposta em relação à última, apresentada no ofício de 8 de maio, é o vale alimentação (lembrando que a correção da inflação já está prevista em lei e seria automática) e a ampliação da licença paternidade. No entanto, a categoria considera isso insuficiente e exige que sejam abertas negociações.

Na avaliação do sindicato, exposta ontem pelo presidente da entidade, Ulrich Beathalter, há na proposta da Prefeitura um problema que precede qualquer valor de reajuste: a forma. “Quando um governo fecha as portas para a negociação e quer fazer isso por três anos [com a fixação antecipada do índice de reajuste até 2020], isso é muito sério”, explicou. “Esse é um ataque a vocês, à autonomia da categoria, à organização sindical”.

Vários trabalhadores participaram do debate, demonstrando mais uma vez a disposição de mobilização da categoria. “Sou a favor de uma greve, porque senão, assim como fizeram tirando nossa lotação, vamos ser pisoteados”, disse um servidor*. “Nossa cidade é nova na luta e é normal que alguns colegas ainda não estejam engajados, mas é nossa missão conscientizá-los”, foi a opinião de outros trabalhador. “Precisamos quebrar esse ciclo de baixar a cabeça”, frisou mais uma pessoa.

Ulrich falou sobre a importância de reagir às ameaças da Prefeitura que visam impedir a mobilização nos locais de trabalho. “Só tem uma forma de impedir que as ameaças se tornem realidade e é enfrentando elas”, disse. Ele ressaltou o compromisso de cada trabalhador que aprovou a paralisação de estar presente e ajudar a ampliar o movimento.

* Os nomes não são divulgados para a proteção dos trabalhadores.

Fotos em anexo. Créditos de Francine Hellmann.

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